Há coisas na política que precisam de ser ditas. E ditas alto! Nas eleições legislativas de São Tomé e Príncipe, surge uma candidatura à Assembleia Nacional pelo círculo eleitoral da diáspora, apresentada publicamente como independente, mas que, segundo a informação que tem circulado, estará ligada ao Partido de Convergência Democrática — PCD. E eu pergunto: Afinal, estamos perante um candidato independente ou perante um candidato de um partido político?

Porque uma coisa é dizer-se independente de espírito, independente nas suas opiniões, independente nas suas decisões. Outra coisa é apresentar-se às eleições como candidato independente, quando, na realidade, integra uma candidatura partidária. E o povo tem o direito de saber a diferença!

A DIÁSPORA NÃO É UM POVO DE SEGUNDA!

Os são-tomenses da diáspora, não são cidadãos de segunda categoria. Vivem longe da nossa terra, trabalham, contribuem, enviam remessas, sustentam famílias, acompanham os problemas do país e continuam a carregar São Tomé e Príncipe no coração. Por isso, quando chega o momento de votar, exigimos transparência!

Não queremos candidatos que brinquem com as palavras. Não queremos candidaturas que criem dúvidas sobre quem está por detrás delas. Não queremos que o eleitor seja levado a acreditar que está a votar numa pessoa independente, quando pode estar a votar numa estrutura partidária. O voto é do povo! A escolha é do povo! A verdade tem de ser do povo!

INDEPENDÊNCIA POLÍTICA NÃO SE DECLARA. ESCLARECE-SE!

Eu respeito qualquer cidadão que queira candidatar-se a deputado. Respeito o direito de cada são-tomense de participar na vida política. Respeito o direito de um candidato defender as suas ideias, criticar os partidos e apresentar um projecto próprio.

Mas a política exige coerência. Se é independente, explique ao povo em que termos é independente. Se concorre por um partido, diga claramente qual é o partido. Se integra uma lista partidária, não apresente essa candidatura de maneira a fazer o eleitor pensar que está perante uma candidatura independente, se isso não corresponde à realidade legal. Não é complicado! É transparência democrática!

E A LEI ELEITORAL, O QUE DIZ?

É aqui que precisamos de ser rigorosos. Não basta alguém dizer “sou independente” para que essa candidatura seja juridicamente independente. Mas também não basta alguém estar ligado a um partido para concluir automaticamente que não pode candidatar-se como independente. A lei é que deve esclarecer as condições. Por isso, a pergunta que deixo às entidades eleitorais é simples: Qual é o estatuto jurídico desta candidatura? Foi apresentada como candidatura independente ou como candidatura partidária? Se é independente, quais são os requisitos legais que lhe permitem concorrer dessa forma? Se é do PCD, por que razão se apresenta ao eleitorado como independente? Onde está a informação oficial que permite ao cidadão da diáspora compreender a natureza desta candidatura? Não podemos transformar as eleições num jogo de palavras!

NÃO É ATAQUE. É RESPONSABILIDADE!

Que fique claro: questionar uma candidatura não é atacar pessoalmente o candidato. É exercer cidadania. É exigir que as regras sejam iguais para todos. É defender o eleitor que vive na diáspora e que merece saber exatamente quem está a apoiar, quem está a votar e que projecto político está a escolher. Porque se amanhã todos os candidatos de partidos se apresentarem como independentes, então perguntamos: Para que servem os partidos? Para que servem as listas? Para que serve a lei eleitoral? A democracia precisa de regras claras. E as regras devem ser respeitadas por todos — candidatos, partidos e eleitores.

O POVO NÃO PODE SER CONFUNDIDO!

Eu não aceito que o povo são-tomense seja tratado como se não soubesse pensar. O nosso povo pensa! O nosso povo questiona! O nosso povo acompanha a política! E o povo da diáspora, que tanto sacrifício faz por São Tomé e Príncipe, merece respeito. Não queremos candidatos que apareçam com discursos bonitos, mas que deixem dúvidas sobre a sua verdadeira posição política. Queremos clareza! Queremos verdade! Queremos responsabilidade! A política não pode ser um mercado de ilusões.
A MINHA PERGUNTA FINAL
Ao candidato que se apresenta como independente, mas que estará ligado ao PCD, deixo esta pergunta: É candidato independente ou candidato do PCD? Que responda ao povo. Que esclareça a sua candidatura. Que mostre a sua posição oficial. Porque o eleitor tem direito à verdade antes de colocar o seu voto na urna. E às entidades competentes deixo outro apelo: Esclareçam o povo da diáspora! Não deixem que a confusão se instale. Não deixem que as palavras substituam a lei. Não deixem que a política se transforme numa batalha de aparências. São Tomé e Príncipe precisa de democracia séria. Precisa de políticos transparentes. Precisa de candidatos que respeitem a inteligência do povo. E precisa, acima de tudo, de uma política onde a verdade esteja acima dos interesses pessoais e partidários.
O POVO MERECE SABER! A DIÁSPORA MERECE RESPEITO! A DEMOCRACIA MERECE TRANSPARÊNCIA!
By Elisabete Carvalho Mulheres Insubmissas
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