Em Cesareia Marítima, cidade erguida por Herodes há cerca de 2.000 anos, a argamassa analisada não seguia uma fórmula única. O estudo encontrou cal, gesso e cinzas vulcânicas em combinações bem diferentes, escolhidas de modo específico conforme parede, fundação, revestimento ou núcleo estrutural de cada obra.
Por que Cesareia precisava de mais de uma receita de argamassa?
A Cesareia Marítima de Herodes reunia palácio, teatro, fortificações, plataformas e estruturas próximas ao mar. Cada parte enfrentava exigências diferentes, então uma mistura única não seria necessariamente a melhor escolha para unir pedras, preencher núcleos ou receber acabamento.
O estudo separou amostras conforme a função: argamassa de assentamento, preenchimento de juntas, revestimento e núcleo estrutural. Essa divisão mostrou que composição e granulometria mudavam junto com o uso, indicando escolhas deliberadas em vez de uma receita repetida em toda a cidade.
Argamassas de Cesareia mudavam conforme a função da obra - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
O que o estudo de 2026 encontrou dentro dessas misturas?
Publicado em 9 de setembro de 2026, o trabalho na Materials and Structures identificou três estratégias de ligante: cal, cal com gesso e gesso puro. Cinzas vulcânicas e resíduos de origem orgânica também apareceram em contextos específicos.
A variação não estava só no ligante. Argamassas finas de juntas tinham agregados de até 3 milímetros, enquanto materiais estruturais chegavam a 15 milímetros. O tamanho dos grãos acompanhava a tarefa, do acabamento mais fino ao preenchimento que precisava formar massa estrutural.
Como os materiais mudavam entre acabamento, assentamento e estrutura?
Os resultados mostram uma construção feita por escolha de função, não por padronização absoluta. Cada mistura resolvia um problema específico:
- Cal: apareceu amplamente em argamassas e revestimentos.
- Cal com gesso: foi usada em assentamento, juntas e rebocos.
- Gesso puro: apareceu em uma amostra de assentamento.
- Cinza vulcânica: entrou em núcleos com comportamento hidráulico.
Essa combinação permitia trabalhar com materiais locais e técnicas trazidas de outras partes do Mediterrâneo. Em vez de copiar uma fórmula romana sem mudanças, os construtores ajustavam ligantes, agregados e aditivos à posição e à função do elemento construído.
Argamassas de Cesareia mudavam conforme a função da obra - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
Por que a cinza vulcânica aparece em uma cidade sem vulcão por perto?
Pesquisas anteriores sobre os materiais de Cesareia identificaram pozolanas vulcânicas importadas em concretos e argamassas do porto. Esse material podia ser combinado com cal para produzir ligantes hidráulicos, capazes de endurecer em condições de umidade.
No estudo de 2026, cinza vulcânica apareceu tanto em contextos estruturais quanto em uma mistura terrestre do palácio. Isso mostra que materiais importados conviviam com recursos locais, incluindo areia costeira, fragmentos calcários e cinzas orgânicas associadas a tradições construtivas regionais.
O que essas receitas revelam sobre quem construiu a cidade de Herodes?
As amostras mostram construtores capazes de adaptar tecnologia à tarefa. Eles distinguiam materiais finos para juntas e acabamentos de misturas mais grossas para núcleos, além de combinar técnicas romanas com práticas locais. A obra monumental dependia tanto de conhecimento de materiais quanto de disponibilidade e logística.
Depois de cerca de dois milênios, a diferença entre uma junta fina e um núcleo com agregados maiores ainda ficou registrada nas amostras. A argamassa virou uma assinatura técnica, mostrando que Cesareia foi construída com várias receitas escolhidas conforme o problema que cada parte precisava resolver.
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